sábado, 30 de maio de 2009
TRAGENDIA ANUNCIADA NO PIAUI
UM FIO DE ESPERANÇA Meu Deus, meu Deus, Cocal está sofrendo. Abre os braços atônitos num suspiro desesperador. O grande in-sonho, A barragem dos Algodões Torna-se um grande pesadelo,monstruoso e ameaçador. Silencioso, sinistro e forte ruge de dor Nas brechas abertas do grande coração. Escorre o líquido da vida nas brechas do paredão E ameaça centenas de cocalenses trabalhador. Homens mulheres e crianças arrastam Seus trapos estrada a fora reprimidas Deixando para traz todo seu patrimônio Gado,cachorro,porcos,galinhas,casas.....vidas Pobres animais abandonados por seus donos Sem tempo de se despedir,de olhar para traz A fome, a tristeza, o descaso os matará Cisma maldito,cólera da ignorância Da repressão, obrigação....proteção. Será? Na pressa da noite,na fuga feroz do algoz Soluça crianças,jovens,velhos,tudo vítimas do Estado. Se aglomeram nas salas de aulas dos colégios,clubes. Como cativos condenados, reprimidos,humilhados Dividem o pão miserável da incompetência Meu Deus Cocal está em pânico iminente Helicópteros,corpo de bombeiros,engenheiros Governador,.........tudo tão impotente! Jornais, revistas, TVs acompanham dementes Registram o rugir do grande monstro ameaçador O sonho que veio trazer alegria e vida Agora ameaça trazer o desespero e a morte Projetou-se abundância mas traz a miséria Profetizou-se a paz, e veio o desespero. Silencioso, geme na noite escura e fria Forma o pânico,o medo. Agora , um desconhecido. Inerte, mas ferido sangra vertiginosamente No lamento reprimido de todos os cocalenses Cocal está sofrendo com um sonho desfeito Imerge na insegurança do glamour interrompido. E agora, o pesadelo do sangramento escorre como lágrimas Que se despede em desespero sustentando-se Entre as brechas do grande paredão. Monitorado, parece ser velado nos últimos minutos de agonia. Com sua morte anunciada, o silêncio se alastra entre as serras vazias E se ouve apenas o mau agouro do vento de inverno que assobia. Um grande vale se abre como túmulo que espera o moribundo Estendido, agora em seu leito, ainda vivo por um único fio de esperança O perigo passou, anunciou o Doutor da empresa aos retirantes. Todas as famílias que aos seus lares abandonaram poderiam voltar As suas casas, terras,sonhos pois o pesadelo passou E tudo novamente recomeçou, como o dia que deixara. Mas numa quarta feira de sol quente Quando todos voltaram as suas terras. No horizonte um manto escuro se formou Como um dilúvio a chuva desabou fortemente E de repente a grande explosão da parede Milhões de litros d?agua deságua ladeira abaixo Num curso irreal e imprevisível. Árvores são arrancadas inteiras pela raiz Prédios, casas, animais, vidas....sucumbe-se em segundos. O barulho é ouvido a quilômetros como se uma manada de elefantes Abrisse clareira meio a mata virgem do sertão. O alarme é dado por celulares e a rádio local Que alerta ? A barragem arrebentou! Fujam enquanto é tempo! Mas nem todos estavam atentos . A fúria da tromba d?agua é destruidora Levando postes da rede elétrica, pontes, casas, prédios, animais, vidas E deixando a cidade incomunicável. É o caos! A água vai buscando,rompendo, rasgando matando A galope como um animal indomável e louco sem limites . Enquanto uma dor de desespero tomam conta de milhares de cocalenses Que lutam freneticamente por suas vidas. A noite chega e um manto escuro cobre o vale como uma mortalha. Ouve-se apenas o rugir das águas e gritos distantes de desespero. Luzes de celulares acenam sobre o topo das árvores meio a escuridão Até tombarem no leito da própria morte. O fio da esperança quebrou, a cidade escurece em luto E chora os seus incontáveis mortos. Tudo, tudo acabou desmoronou. Apenas um grande silêncio se faz ouvir no vale de morte Onde dezenas choram convulsivamente suas perdas. No dia seguinte raios de sol ilumina a grande tragédia, o sol renasce. E um cenário desolador da destruição abre-se como um campo de batalha. Tudo destruído, famílias incompletas, lares desaparecidos. Corpos enterrados na lama;começa-se as buscas. Agora é hora de encontrá-los para sepultá-los. Meio a dor e o sofrimento do inexplicável, crianças sujas de lama são encontradas. Viva e com um sorriso no rosto que nos faz ter a certeza Que sempre haverá ?Um fio de esperança?
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