Parece muito fácil para alguém hoje em dia ter um blog. Basta entrar em um site que ofereça o serviço, se cadastrar e sair espalhando sua opinião sobre qualquer coisa. Não para os cubanos, que dizem estar enfrentando uma ciberguerra contra o governo para poderem dar sua própria versão da realidade na ilha comunista.
Conseguir produtos eletrônicos e acesso livre à internet é algo bem complicado em Cuba, devido a restrições do governo e também pelo embargo econômico imposto pelos Estados Unidos. Para conseguir expressar sua opinião, os blogueiros utilizam a internet de hotéis para turistas, bem como cartões de memória e laptops adquiridos no exterior. Um custo proibitivo, uma vez que os hotéis cobram US$8 a hora em um país cujo salário é de US$17 mensais.
E, mesmo com a triplicação do número dos blogs em um país cuja internet é censurada, os blogueiros desabafaram à Associated Press que é cada vez mais difícil burlar o sistema. Seus blogs estão hospedados em servidores estrangeiros, e os textos são escritos fora da internet, salvos em cartões de memória e os updates são feitos dos hotéis ou através de pedidos a amigos feitos por email.
Já o governo acusa os escritores de difamar uma revolução que tem 50 anos de idade, e contra-ataca bloqueando sites que “encoragem a subversão” – na opinião deles, patrocinados pelos Estados Unidos. Aproximadamente 30 blogs, como “Retazos”, “El Guajiro Azul” e “Generacion Y” tratam de temas delicados como permissões de viagem, falhas nos sistemas de saúde e educação, prisioneiros políticos ou simplesmente as durezas do dia-a-dia, noticiou o site The Inquirer .
O contra ataque não parte apenas das tentativas de censura. O portal oficial de Cuba, aonde o ex-presidente Fidel Castro possui uma coluna, escreve que “Seus posts são cheios de teorias políticas estafadas que o Departamento de Estado dos Estados Unidos já utiliza há anos para incluir Cuba em todas as listas negras”. Jornalistas locais também criticam os blogueiros, acusando uma delas de “ser uma garota infeliz que se vende como vítima de uma implacável perseguição”.
A vítima das críticas Yoani Sanchez, graduada em literatura, disse que não está se escondendo, e que prefere guardar dinheiro para se conectar e recontar a realidade que não é mostrada pela imprensa cubana, que repete o discurso oficial. Cubanos não podem ter assinaturas de internet, mas podem utilizar contas de email em cibercafés, entretanto sem o direito de navegar pela rede.
Porém, as opções diminuem a cada momento. Uma famosa rede de hotéis espanhola passou a proibir o acesso à internet por parte de cubanos, restringindo o uso apenas a estrangeiros. “Eles querem nos levar à ilegalidade, a contas alternativas. Ele nos acusam de comprar domínios fora de Cuba, mas cubanos não podem comprar um domínio ‘.cu’. O que eles querem, silêncio?”, declarou Sanchez. “Querem nos acusar de ser apoiados por governos estrangeiros”, disse outro blogueiro, Ivan Garcia.
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