sábado, 30 de maio de 2009

Civis mapeiam pontos estratégicos da Coréia do Norte utilizando mapas virtuais

A Coréia do Norte é um dos países mais fechados do mundo e, recentemente, tem chocado a comunidade internacional ao realizar testes com mísseis balísticos e explosões nucleares subterrâneas, contrariando resoluções da ONU . Para se manterem informados, cidadãos do mundo inteiro se unem há dois anos criando
mapas em que identificam variados locais do país.

De acordo com o site Wall Street Journal , o mapa compartilhado, um arquivo de nome North Korea Uncovered (algo como Coréia do Norte revelada), mostra os locais onde residem instalações nucleares, campos aéreos, barragens, terminais de transporte, redes, campos de prisão, palácios da elite e prédios governamentais. Até mesmo o campo de golfe pessoal de Kim Jong II, líder da nação, e o que se crêem ser valas da época de fome nos anos 90 são mostrados no arquivo.

Pessoas como Curtis Melvin, participantes do movimento “cidadão espião”, utilizam mapas online como o Google Earth para marcar esses pontos estratégicos, e compartilham posteriormente seus arquivos com a comunidade web. As informações são tiradas de notícias mostradas na televisão, viagens feitas pelos participantes e de outros tipos de mídia, como mapas, fotos e vídeos. É o que eles chamam de “democracia inteligente”, noticiou o site Switched .

Melvin diz que mais de 35.000 pessoas já baixaram seu arquivo, e que já tem arquivado milhares de lugares, entre eles mais de 1.200 represas e até 47 restaurantes. “Esse é um dos países mais fechados do mundo, e através desse esforço de um punhado de estranhos na internet, os segredos visíveis do país estão sendo levados a público”, disse Martyn Williams, jornalista residente no Japão, que já enviou por volta de trinta pontos de interesse ao arquivo de Melvin.

Após duas viagens a turismo à Coréia do Norte, Melvin decidiu começar a registrar os locais por onde passou, e compartilhou isso em muitos sites relacionados ao país. Em pouco tempo, pessoas começaram a enviar o que sabiam, desde pontos turísticos a campos aéreos próximos à Coréia do Sul. Melvin disse que a insanidade do drama dos norte coreanos e sua fascinação pela descoberta o motivaram a continuar.

Sam Brownback utilizou o mapa de Melvin em uma apresentação que criticava a falta de direitos humanos no país. “O Google transformou todos nós em testemunhas. Não podemos mais negar que essas coisas existem”, desabafou. Para ele, o fato de termos a informação nos obriga a agir, caso contrário seríamos coniventes.

Ninguém relacionado ao governo da Coréia do Norte quis comentar sobre o caso.

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